quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Cidade

Faróis
Postes
Terraços
Asfalto
Concreto
Ferragens
Prédios
Shoppings
Corre corre
Barulho
Buracos
Engarrafamentos


[...]

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

ai, as vírgulas nos lugares errados.

é sempre uma pena cada vírgula jogada fora. cada amor amassado e jogado no lixo. cada lágrima linda que escorre pelo rosto, que nem sempre é uma pena,  mas isso é o viver.
 


.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

dos cinco nomes.

lemanjáã, que é dona do cais, dos saveiros, da vida deles todos, tem
cinco nomes, cinco nomes doces que todo o mundo sabe. Ela se chama
Iemanjá, sempre foi chamada assim e esse é seu verdadeiro nome, de
dona das águas, de senhora dos oceanos. No entanto os canoeiros amam
chamá-Ia de D. Janaína, e os pretos, que são seus filhos mais diletos, que
dançam para ela e mais que todos a temem, a chamam de Inaê, com
devoção, ou fazem suas súplicas à Princesa de Alocá, rainha dessas
terras misteriosas que se escondem na linha azul que as separa das
outras terras. Porém, as mulheres do cais, que são simples e valentes,
Rosa Palmeirão, as mulheres da vida, as mulheres casadas, as moças que
esperam noivos, a tratam de D. Maria, que Maria é um nome bonito, é
mesmo o mais bonito de todos, o mais venerado, e assim o dão a Iemanjá
como um presente, como se lhe levassem uma caixa de sabonetes à sua
pedra no Dique. Ela é sereia, é a mãe-d'água, a dona do mar, Iemanjá, D.
Janaína, D. Maria, Inaê, Princesa de Alocá. Ela domina esses mares, ela
adora a Lua, que vem ver as noites sem nuvens, ela ama as músicas dos
negros. Todo o ano se faz a festa de Iemanjá, no Dique e em Monte
Serrat. Então a chamam por todos seus cinco nomes, dão-lhe todos os
seus títulos, levam-lhe presentes, cantam para ela.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A vida é curta

E antes eu pedia pra me carregarem para poder ver o trem passando na ponte. Olhava-o pela janela. Seu barulho deslisando pelo trilho. Aquele som de ferro.
Mas hoje não é necessário ninguém mais me carregar. Agora abaixo a cabeça para poder ver o trem.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

mutter.



[...]

chegando exausto em casa, depois da partida de futebol, vê sua mãe e pergunta se algo aconteceu. Ela parece meio triste. Como se tivesse perdido alguma coisa. Então, ele descobre que seu irmão faria quinze anos naquele dia.

H2O

a água que corre
que traz vida
que vem com a esperança
que mata a sede
perpetua a vida

a água cara
que é jogada fora
que muitos não ligam
mas um dia a pedirão
como esmola

a água que custa caro
que é motivo de guerra
derrama vidas

a água que muitos não ligam
mas um dia a falta dela sentirão
e aí pode ser tarde
não vai nascer no momento da sede
a vida não vira a molhar a face de todos
só a de poucos

e a guerra continuará a fazer rios
rios de sangue.

Maria vai depressa.

E logo a essa hora do dia.
Ultimamente ela tá estranha.
Maria saiu depressa. Mas logo Maria?
Onde será que ela vai com tanta pressa?
Zé da feira observa. Sabe algo importante aconteceu.
Ãn?? Perguntou o jovem ajudante da quitanda.
Ora, não é nada que nos diz respeito. Somente a Maria.





terça-feira, 16 de novembro de 2010

No consultório

-Então, doutora, é ar preso?
-Não, é câncer.

EG

 [...]

- E foi assim que eu parei.

Dois minutos depois, outro cara:

- Tô aqui por causa de minha mulher. Das mulheres que comi e que me largaram. As que larguei, enfim. Toda vez que tô na merda saí alguma coisa. Merda ou alguma coisa que preste. Na maioria das vezes é alguma coisa que presta que considero como merda. Mulher vai e vem e o álcool acaba se tornando seu melhor amigo, psicólogo e tudo mais. O cigarro é o companheiro pra todas as horas. Ele e o álcool. Mas voltando: Mulher vai e vem e acabei começando a escrever. Viciei. Vício assim como o álcool e o cigarro. Mas a arte de escrever não se encontra nos botecos da esquina, no bolso do paletó de algum sacana. Nããão. E hoje que não tenho mais mulheres não fico mais na merda. Não escrevo mais. Foi assim que parei.

- Então, a sessão dos Escritores de Gaveta fica por aqui.  Até a próxima quinta.

sábado, 6 de novembro de 2010

rs

torcedores do Bahia falam tanto em tri-co-lor. Mas quando é perguntado as cores do time respondem, na maioria das vezes, quase sempre, azul e vermelho. Dessa forma o Baêa - como de fato é chamado - é bicolor.
rs

!-

 Modernizar o passado.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Trimmm

Fazia o relógio todas as manhãs. Ele então acordava, preparava seu banho, café. Deixava as roupas prontas na noite anterior. Após o banho fumava e tomava café. Eram três, quatro cigarros em menos de meia hora. E toda manhã, ao acordar, era assim.
Tirava o carro da garagem e na esquina mais cinco cigarros eram fumados. Antes do almoço mais três. Após o almoço mais três. E nesse modo seguia.
Durante a tarde era um cigarro a cada 15 minutos. Toda tarde.
No entardecer até a queda da noite e o banho e o jantar e o café e até pegar no sono se iam um maço.
E assim ia fumando. Todo dia.
Mas numa manhã de quinta o despertador do relógio tocou. A roupa estava pronta e o banho e o café. O carro estacionado na garagem. Os cigarros estavam sobre o criado mudo.
O despertador parou de soar. O tempo passou e continuou a passar.
Mas nos dias seguintes a roupa não seria mais utilizada, assim como o banho e o café e os cigarros. Não tinham mais precisão.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Na janela

Ela olhava
O vento assoprava de leve os cabelos
Lá de cima via os carros pequeninos passarem
De repente: tbaf!
Mais um carro a caminho do seguro.

sábado, 30 de outubro de 2010

A F R O






Sem esse sonho americano

Sem a maquiagem na face

Lábios grossos, nariz largo

Traço negro! Orgulho Negro!

Oprimido Discriminado

Lutando contra a correnteza opressora

Essa luta não é de agora

Vem dos séculos passados.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

| Pensador Africano |

Mão na cabeça para pensar.
O que dará de comer ao filho quando ele acordar?
E para almoçar? É necessário se alimentar.
Não dá. Piora quando ninguém incentiva.

Patrão server para desvalorizar o trabalho, atrasar salário e, sempre que pode, sacaniar.
A pergunta é única: como mudar?
A resposta é simples: Estudar, unir, lutar!

A mão na cabeça deixará de ser referente à preocupação. Agora será referência à produção.
Conhecimento, mudança, pão!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

É sério

Mas existe uma diferença.
                                    
 


                                      Seja cafajeste. 

                                                    




                                                                        



                                                                               Canalha não.

Bêbados


              Criaturas divertidas, mas não aqueles idiotas que acham que a solução virá depois de cada copo.
              Música brega toca no rádio. O cara ainda tem consciência. Acha todo aquele som ridículo. Uma hora e meia depois e o sujeito tá atracado com a quenga mais feia do bar, se derretendo.
             Depois de algumas garrafas não se sabe mais onde é realidade. A cabeça pesa e tudo fica bom.
            Não quero saber dos problemas do vizinho.  
            O álcool é um paliativo para uma boa parcela de problemas.